Resumo
- O laudo gemológico é o documento em que um laboratório identifica a pedra e registra suas características.
- Na alexandrita, os campos decisivos são espécie e variedade, natural ou sintética, tratamento e mudança de cor.
- Peso, medidas e formato servem para conferir se o laudo é daquela pedra.
- O laudo não informa valor; a origem geográfica só aparece quando o laboratório a emite.
O que é um laudo gemológico
O laudo gemológico é o relatório em que um laboratório independente identifica a gema, diz se ela é natural ou sintética e registra tratamentos e características. Ele é diferente de uma avaliação de preço e de um "certificado" emitido pelo próprio vendedor.
O laudo vale para a pedra examinada, no estado em que estava. Por isso traz peso, medidas e, em geral, uma foto: são esses dados que ligam o papel à pedra.
Os campos de um laudo de alexandrita, um a um
Cada laboratório tem seu próprio formato, mas os campos se repetem. A tabela explica o que cada um significa e o que você deve conferir.
| Campo | O que significa | O que conferir |
|---|---|---|
| Laboratório e número | Quem emitiu o documento e o código que permite consultá-lo | Se o laboratório existe e se o número pode ser verificado no site dele |
| Data | Quando a pedra foi examinada | Se a pedra pode ter sido relapidada ou montada depois |
| Descrição do objeto | Pedra solta, lapidada, bruta ou montada em joia | Se corresponde ao que você está comprando |
| Peso | Massa em quilates (ct), em geral com duas casas decimais | Se bate com a pesagem da pedra apresentada |
| Medidas | Comprimento, largura e profundidade em milímetros | Se batem com a pedra, dentro de pequena tolerância |
| Formato e lapidação | Contorno (oval, cushion, redondo) e estilo das facetas | Se a pedra tem o mesmo formato |
| Cor | Descrição da cor observada | Se a descrição inclui as duas luzes |
| Espécie | O mineral: crisoberilo | Se está escrito crisoberilo, e não outro mineral |
| Variedade | O nome gemológico: alexandrita | Se o laudo usa alexandrita ou só crisoberilo |
| Identificação | Se a pedra é natural ou sintética | Se diz natural, sem ressalvas |
| Tratamento | Sinais de intervenção para melhorar a aparência | Se há menção a preenchimento de fissuras e em que grau |
| Origem geográfica | Opinião do laboratório sobre o país de origem, quando emitida | Se o campo existe e como está redigido |
| Comentários | Observações adicionais do laboratório | Se trazem ressalvas importantes |
| Foto e segurança | Imagem da pedra, holograma, QR code ou assinatura | Se a foto corresponde à pedra apresentada |
Para ver o que cada tipo de relatório do GIA inclui, consulte a comparação de relatórios de gemas de cor do GIA.
Os campos que decidem a compra de uma alexandrita
Espécie e variedade, identificação, tratamento e descrição da mudança de cor são os campos que mudam o valor da pedra. Leia estes antes de qualquer outro.
Espécie e variedade: é alexandrita ou crisoberilo?
O laudo precisa indicar crisoberilo como espécie e alexandrita como variedade. Se aparecer só "crisoberilo", ou "crisoberilo com mudança de cor", o laboratório não considerou a troca suficiente para o nome alexandrita. Entenda o limite na diferença entre alexandrita e crisoberilo.
Identificação: natural ou sintética
É o campo que separa uma pedra rara de uma pedra de laboratório. O laudo deve dizer natural; se disser "sintética" ou "criada em laboratório", a pedra vale uma fração do preço de uma natural.
Tratamento
A alexandrita costuma não receber tratamento, mas pode ter fissuras preenchidas com óleo ou resina para melhorar a aparência. O laudo indica se encontrou sinais disso e, em alguns laboratórios, em que grau.
Como o laudo descreve a mudança de cor
O laudo descreve a mudança de cor em palavras, com a cor observada em luz do dia e em luz incandescente. Ele não usa a porcentagem de mudança que aparece em anúncios.
Uma descrição típica diz algo como "verde-azulado na luz do dia, vermelho-arroxeado na luz incandescente", às vezes com a intensidade da troca. Para entender como essa observação é feita, leia o guia de mudança de cor da alexandrita.
Laudo de identificação ou laudo com origem
O laudo de identificação diz o que a pedra é; o laudo com origem acrescenta uma opinião sobre o país onde ela se formou. Nem todo laboratório emite origem para alexandrita, e o campo só aparece quando é pedido e possível.
O GIA, por exemplo, passou a oferecer relatório com origem geográfica para alexandrita em 2019, segundo o National Jeweler. Veja qual laboratório faz laudo de alexandrita com origem.
| Item | Laudo de identificação | Laudo com origem |
|---|---|---|
| Espécie e variedade | Sim | Sim |
| Natural ou sintética | Sim | Sim |
| Tratamento | Sim | Sim |
| Origem geográfica | Não | Sim, como opinião do laboratório |
| Quando faz sentido | Em toda compra relevante | Quando a origem pesa no valor ou na história da peça |
Erros comuns ao ler um laudo gemológico
O erro mais comum é ler o laudo sem conferir se ele é da pedra que está sendo vendida. Os outros vêm de ler só a primeira linha do documento.
- Aceitar um laudo de outra pedra, com peso ou medidas diferentes
- Ler "alexandrita" no anúncio e não conferir a variedade no laudo
- Ignorar o campo de tratamento ou os comentários
- Confundir laudo de identificação com avaliação de preço
- Aceitar laudo de laboratório que não pode ser consultado
Checklist antes de aceitar um laudo
Confira os seis pontos abaixo com o laudo e a pedra lado a lado, de preferência ao vivo.
- O laboratório existe e permite confirmar o número do laudo
- Peso, medidas e formato batem com a pedra
- Espécie crisoberilo e variedade alexandrita
- Identificação: natural
- Tratamento informado e compreendido
- Mudança de cor descrita nas duas luzes
Depois de ler, confirme o documento no laboratório. O passo a passo está no guia para verificar laudo de alexandrita.
Como a DRAGO trata os laudos
Na DRAGO, o laudo é feito a pedido do comprador, antes do fechamento. Hoje os laudos são feitos via IBGM e, nos casos de maior relevância, com avaliação do gemólogo Frederico Baroni, formado pelo GIA.
Cada laudo é nominal e nunca é publicado no site, porque documentos expostos podem ser copiados e falsificados. O comprador vê o laudo na reunião por vídeo, e o número é passado só a ele, em privado. Para entender o processo e pedir laudo antes de fechar, veja a página do laudo gemológico.
Perguntas frequentes sobre o laudo gemológico
O laudo gemológico informa o valor da alexandrita?
Não. O laudo identifica a pedra e suas características. O valor depende do mercado e é tratado em outro tipo de documento, a avaliação.
O laudo diz a porcentagem de mudança de cor?
Não. O laboratório descreve a mudança em palavras, com as cores observadas nas duas luzes. A porcentagem é uma convenção do comércio.
Um laudo antigo ainda vale?
Vale para a pedra como ela era no exame. Se a pedra foi relapidada, montada ou tratada depois, peso, medidas e até o tratamento podem ter mudado, e um novo exame é recomendado.
Laudo e certificado são a mesma coisa?
No uso comum, sim, mas o que importa é o laboratório. Um "certificado" sem laboratório identificado e sem consulta não tem o mesmo peso de um laudo.
Por que a DRAGO não publica laudos no site?
Porque cada laudo é nominal e pode ser copiado por pessoas mal-intencionadas. O comprador vê o documento na reunião por vídeo, e o número é passado só a ele, em privado.


