Resumo
- O Processo de Kimberley é um sistema de certificação criado para diamantes brutos, com o objetivo de barrar os chamados diamantes de conflito.
- Alexandrita, esmeralda, turmalina e as demais gemas de cor ficam fora do Processo. Não existe Certificado Kimberley para elas.
- No Brasil, o Certificado do Processo de Kimberley é emitido pela Agência Nacional de Mineração (ANM), só para diamante bruto.
- A alexandrita sai do Brasil com nota fiscal, documentação de exportação e documento de origem.
- Vendedor que oferece “Certificado Kimberley” para gema de cor mostra desconhecimento ou tenta impressionar: é sinal de alerta.
O que é o Processo de Kimberley
O Processo de Kimberley é um sistema internacional de certificação do comércio de diamantes brutos. Ele foi criado para impedir que diamantes extraídos por grupos armados, os "diamantes de conflito", financiem guerras.
O sistema começou a valer em 2003, a partir de um acordo entre governos, indústria e sociedade civil, com apoio da Organização das Nações Unidas. Cada remessa de diamante bruto entre países participantes precisa viajar com um certificado oficial, e os participantes só negociam diamante bruto entre si. Os detalhes estão no site oficial do Kimberley Process.
Quem emite o certificado no Brasil
No Brasil, o Processo de Kimberley foi instituído pela Lei 10.743/2003, e o certificado é emitido pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Ele acompanha exportações e importações de diamante bruto, e só delas.
O que o Processo de Kimberley cobre e o que não cobre
O Processo de Kimberley cobre apenas diamantes brutos. Diamantes lapidados e todas as gemas de cor, inclusive a alexandrita, ficam fora dele.
| Material | Exige Certificado Kimberley? | Observação |
|---|---|---|
| Diamante bruto | Sim | Toda remessa entre países participantes |
| Diamante lapidado | Não | O Processo controla o bruto, antes da lapidação |
| Alexandrita bruta ou lapidada | Não | Gema de cor: segue a documentação comum de exportação |
| Esmeralda e turmalina | Não | Gemas de cor, fora do escopo do Processo |
| Rubi e safira | Não | Gemas de cor, fora do escopo do Processo |
Por que tanta gente pede Certificado Kimberley para alexandrita
A confusão vem do nome: "Kimberley" ficou conhecido como sinônimo de pedra preciosa legal, e o diamante é a gema mais famosa. Na prática, o certificado não diz nada sobre gemas de cor.
Por isso, um vendedor que oferece Certificado Kimberley para alexandrita ou esmeralda merece cuidado. Ou ele não conhece as regras do próprio produto, ou usa um documento famoso para impressionar. Estes são os equívocos mais comuns:
- Achar que toda pedra preciosa precisa de Certificado Kimberley para sair do país
- Aceitar um “Certificado Kimberley” para gema de cor como prova de origem
- Confundir Certificado Kimberley com laudo gemológico
- Achar que diamante lapidado viaja com Certificado Kimberley
- Deixar de pedir os documentos que realmente valem para a alexandrita
Quais documentos acompanham a exportação de alexandrita
A alexandrita sai do Brasil com nota fiscal, documentação de exportação e documento de origem. O laudo gemológico entra quando o comprador pede.
| Documento | Para que serve | Quem providencia |
|---|---|---|
| Nota fiscal de exportação | Registra a venda no Brasil | Fornecedor |
| Declaração Única de Exportação (DU-E) | Registra a exportação no Siscomex, o sistema de comércio exterior do governo | Exportador ou despachante |
| Fatura comercial e romaneio | Descrevem a mercadoria, o valor e a embalagem para a alfândega do destino | Exportador |
| Documento de origem | Mostra de que lavra a pedra saiu e por onde passou | Fornecedor (na DRAGO, pelo Drago Origin Protocol) |
| Laudo gemológico | Confirma que a pedra é natural e descreve suas características | Laboratório, sob pedido do comprador |
No país de destino, a importação segue as regras locais de alfândega e impostos. Por isso, o comprador deve confirmar com o seu despachante o que o país exige na chegada. Veja como a DRAGO organiza o envio internacional da alexandrita.
Existe algo parecido com o Processo de Kimberley para gemas de cor?
Não existe um sistema obrigatório equivalente para gemas de cor. O que existe são diretrizes e iniciativas voluntárias de rastreabilidade.
A principal referência é o guia de devida diligência da OCDE para cadeias responsáveis de minerais. Laboratórios e fornecedores também criam programas próprios, como o Provenance Proof da Gübelin, com registro em blockchain para gemas de cor e um teste de rastreio voltado à esmeralda.
Na alexandrita, quem documenta a origem é o fornecedor. Na DRAGO, cada lote segue o Drago Origin Protocol, com documento de origem entregue ao comprador.
Checklist: o que pedir no lugar do Certificado Kimberley
- Nota fiscal da venda, emitida pelo fornecedor
- Documentação de exportação registrada no Brasil
- Documento de origem que identifique a lavra
- Laudo gemológico de laboratório identificado, se você precisar
- Contrato com as condições do lote antes do pagamento
Perguntas frequentes sobre o Certificado Kimberley
A alexandrita precisa de Certificado Kimberley?
Não. O Processo de Kimberley vale só para diamantes brutos. A alexandrita sai do Brasil com nota fiscal, documentação de exportação e documento de origem.
Diamante lapidado precisa de Certificado Kimberley?
Não. O Processo de Kimberley controla o comércio de diamante bruto entre países participantes. O diamante lapidado fica fora do esquema.
Quem emite o Certificado Kimberley no Brasil?
A Agência Nacional de Mineração (ANM), apenas para exportações e importações de diamante bruto.
Um vendedor me ofereceu Certificado Kimberley para esmeralda. É confiável?
É um sinal de alerta. O certificado não se aplica a gemas de cor. Peça nota fiscal, documento de origem e laudo de laboratório identificado.
O que comprova a origem de uma alexandrita?
O documento de origem do fornecedor, que identifica a lavra, e, quando pedido, um laudo de laboratório com opinião de origem geográfica.


